Arthur Rimbaud (1854 – 1891) nasceu em Charleville, no nordeste de França, e cedo revelou um talento fora do comum. Filho de um capitão do exército ausente — que abandonou a família quando o poeta tinha seis anos — e de uma mãe austera, cresceu num ambiente rígido, do qual procurou escapar desde muito novo. Brilhante aluno, acumulou distinções escolares, mas rapidamente trocou a disciplina pela fuga, dominado por uma inquietação precoce — esse impulso que mais tarde resumiria na célebre fórmula: «Je est un autre».
Entre os 15 e os 20 anos, escreveu toda a sua obra. Em poucos anos, revolucionou a poesia europeia com textos como “Uma Época no Inferno” (1873) e “Iluminações” (1886), publicado em vida do autor, mas sem o seu consentimento. A sua escrita procurava romper com a perceção comum, explorando um mundo de visões intensas e linguagem radical. «A verdadeira vida está ausente», escreveu — e nessa ausência ergueu uma obra que abriu caminho ao simbolismo e à modernidade poética.
Em 1871, mudou-se para Paris a convite de Paul Verlaine, que, impressionado com os poemas que Rimbaud lhe enviara por carta, lhe mandou dinheiro para a viagem. A relação entre ambos tornou-se rapidamente tempestuosa: marcada por escândalos, excessos e violência. Viveram entre Paris, Londres e Bruxelas num turbilhão de álcool, conflitos e criação literária. A ligação terminou de forma abrupta em 1873, quando Verlaine disparou dois tiros sobre Rimbaud em Bruxelas, ferindo-o no pulso esquerdo. Pouco depois, o jovem poeta rompia não só com essa relação, mas com a própria literatura.
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