Saúde mental, discriminação, violência, acesso aos cuidados de saúde e reconhecimento legal da identidade de género. Um novo relatório da TGEU, baseado no terceiro Inquérito LGBTIQ da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), oferece aquele que é, até hoje, o retrato mais abrangente das experiências das pessoas trans na Europa. E deixa uma conclusão: quando os direitos são reforçados, a qualidade de vida melhora; quando são postos em causa, são as pessoas que pagam o preço.

Durante anos, o debate público sobre pessoas trans tem sido dominado por discursos políticos, polémicas mediáticas e narrativas frequentemente desligadas da evidência. O relatório Trans human rights, realities, and resilience in Europe [Direitos humanos trans, realidades e resiliência na Europa] procura inverter essa lógica. Com base nas respostas de mais de 30 mil pessoas trans de 30 países europeus, constitui a maior análise alguma vez realizada sobre as suas experiências de vida, permitindo compreender não apenas as dificuldades que enfrentam, mas também o impacto concreto das políticas públicas na sua segurança, saúde e bem-estar.

Um dos primeiros aspetos que desafia perceções comuns é a própria composição da amostra.